54º Concurso de Ganadarias de Évora

Gente dos Toiros

[Vila Franca, 5 de Maio de 2013]


Jorge Faria


Paula Vilaverde

Mãe de Duarte Pinto


Carlos Cunha


Diogo Timóteo e Daniel Silva (GFA Alcochete)


António Cary e André Rodrigues (GFA Portalegre)

José Caceres, Luísa Mendes Jorge e Vasco Lucas

José Luís Gomes


Ana Batista e Orlando Vicente


Joana Andrade


Francisco Portela


José Miguel Martins (GFA Évora)


João Folque

Carlos Teles e António José Pinto

Pegas de tirar o fôlego


Na viagem de ida para Vila Franca dei comigo a pensar quem seria, desta vez, o júri nomeado para a atribuição dos dois prémios em disputa nessa tarde: o de apresentação e o de bravura. E comentei mesmo que, por certo, se iria repetir a “regra” dos últimos concursos e o júri seria constituído pelos próprios ganaderos. É uma boa forma de os responsabilizar e, convém dizê-lo, tem sido, apesar de tudo, a maneira menos injusta de atribuição deste tipo de prémios. E fui acrescentando que esperava que assim fosse e que não voltasse a “antiga” norma de nomeação/indicação de algumas personalidades da nossa Festa para fazerem parte do júri.
Com muita pena minha foi esta última fórmula a escolhida e foi o que se viu…

Mas vamos, em primeiro lugar ao eu me levou aos toiros a Vila Franca: os toiros. O primeiro, com a idade de 5 anos, pertencia à ganadaria Palha, acusou na balança o peso de 560 kg e estava bem apresentado. Foi um toiro muito complicado, que se adiantava uma enormidade e que exigia outras distâncias que não as que o cavaleiro a quem tocou em sorte lhe foi dando.
O segundo da tarde veio da casa Prudêncio, tinha também ele cinco anos, o peso de 580 kg e saiu bem no tipo morfológico da ganadaria. Em termos de comportamento, procurou desde cedo o refúgio das tábuas, mas deixou-se tourear sem problemas de maior.
Em terceirto lugar saiu um toiro da ganadaria de David Ribeiro Telles (que substituía o de Vaz Monteiro que havia sido recusado por falta de peso), que se inutilizou, saindo, em seu lugar, o que estava “escalonado” para sair em sexto lugar e que cabia ao mesmo cavaleiro. Era um toiro de Canas Vigouroux, com 605 kg e que andou sempre a trote, sem se empregar nas sortes e sempre com a cara alta. No final da lide, inclusivamente, descaiu para tábuas.
O quarto da ordem pertencia à ganadaria de Oliveira Irmãos, pesou 545 kg e estava bem apresentado. Foi um toiro que sempre procurou tábuas e donde desferia repentinas arreadas. Um manso perdido…
A ganadaria de Vale do Sorraia enviou à Palha Blanco um bonito exemplar, a fazer lembrar toiros do antigamente. Acusou o peso de 500 kg e foi, quanto a mim, o menos manso da corrida. Acusou alguma falta de força, perdendo as mãos por mais que uma vez, mas colocou alegria nas investidas, perseguindo o cavalo em todos os terrenos. Faltou-lhe, quanto a mim, um pouco mais de codícia no momento da reunião.
O último da tarde, sobrero da corrida e não sujeito a concurso, veio da ganadaria Palha, e pesava 565 kg. Nunca se empregou na lide e mostrou-se desinteressado e com crenças.
No final, o tal júri decidiu, por maioria atribuir o prémio de apresentação ao toiro de Palha, saído em primeiro lugar (o que se aceita) e o prémio de bravura foi para o toiro de Canas Vigouroux (debaixo de uma onda de assobios por parte do público). Em minha opinião, como já referi, o menos manso da corrida foi o exemplar de Vale do Sorraia, mas o mais justo seria este prémio ter ficado deserto (e não sei porque não é habitual ou é proibido não atribuir um prémio quando não há toiros bravos…).

Quanto a atuação dos cavaleiros, Luís Rouxinol não se entendeu com o primeiro, não lhe conseguindo dar a volta, penso eu que por um problema de distâncias que não conseguiu acertar. No seu segundo esteve já mais ao seu nível, deixando três bons ferros curtos (1º, 2º e 4º). Terminou com um par de bandarilhas em sorte sesgada um pouco aliviado.

Manuel Telles Bastos foi, sem qualquer margem para dúvidas o grande triunfador da tarde (e, note-se, que nem sempre tem que haver triunfadores, mas nesta tarde houve…). Iniciou a lide do seu primeiro com três compridos em sortes à tira bem desenhadas e bem ao seu estilo clássico e verdadeiro, para, na ferragem curta dar um verdadeiro recital da arte de bem montar a cavalo e cravar ferros ao estribo, de alto a baixo. Uma grande lide!... No quinto da tarde não esteve ao mesmo nível nos compridos, mas nos curtos voltou a espalhar magia, com uma brega irrepreensível e com ferros em reuniões frontais e cingidas, nomeadamente os dois últimos (5º e 6º).

Duarte Pinto, no primeiro que lhe tocou em sorte esteve bastante desastrado, misturando vários ferros falhados com toques na montada, um deles com alguma violência. Uma lide para esquecer, mas que trouxe ao de cima a grande humildade e sentido de responsabilidade deste cavaleiro, que constantemente pedia desculpas ao público presente. No que encerrou a corrida vimos já um Duarte Pinto mais ao seu nível, com a colocação de um grande ferro curto (o 4º). No entanto, este cavaleiro pode e sabe fazer melhor…

Se no toureio a cavalo tivemos um triunfador, no que toca aos forcados tivemos vários, a começar logo pela pega de Ricardo castelo, do Grupo de Forcados de Vila Franca ao primeiro toiro da corrida. Bem no cite e na reunião, aguentou bem os derrotes do toiro, que se desviou da trajectória do grupo, até embater em tábuas e consumar uma grande pega. Destaque para o 2º ajuda André Matos que, justamente, foi chamado para a volta à arena. O terceiro da tarde foi pegado por Ricardo Patusco à segunda tentativa. Tendo feito tudo bem no primeiro intento não conseguiu aguentar um derrote para o lado, saindo antes de chegar aos ajudas. Retificou e concretizou uma boa pega, com o grupo a mostrar grande coesão. Para pegar o quinto toiro foi chamado Pedro Castelo que efectuou uma pega plena de técnica, se bem que os ajudas “andaram um pouco aos papéis”, antes de conseguirem fechar a pega.

Pelo Grupo de Alcochete foi à cara do segundo toiro da corrida o jovem forcado João Gonçalves que aguentou fortes derrotes e consumou uma rija pega, apesar de um cite algo apressado. A pega ao quarto da ordem foi executada por Fernando Quintela à primeira tentativa, a dobrar Tomás Vale, que se lesionou na primeira entrada ao toiro. Bem no cite, com uma reunião exemplar, aguentou todos os derrotes do toiro e concretizou mais uma grande pega, com o grupo a mostrar grande coesão. Para o último estava reservada a pega da tarde. Se na primeira tentativa o toiro saiu solto e com muita pata não permitindo que o forcado ficasse na cara e concretizasse a pega (saindo este bastante combalido), na segunda entrada ao toiro efetuou a pega da tarde e, até a que poderá ser uma das pegas da presente temporada. Reuniu muito bem, aguentou todos os derrotes e mais alguns, sozinho na cara do toiro, que teimava em fugir do grupo, até que, quase meia praça depois o grupo conseguiu, a custo, fechar este hino ao forcado e à arte de pegar toiros…

E não poderia ter existido um final melhor para uma corrida de toiros que não defraudou o público (com o senão da atribuição do prémio de bravura). Antes pelo contrário, deixou bom sabor aos aficionados presentes, que poderiam ter comparecido em maior número.



Por: Catarina Afonso

Vila Franca, 5 de Maio de 2013


Alcochete, 1 de Maio de 2013






























Que o tempo quente não demore...



Depois de ter presenciado algumas corridas de toiros na vizinha Espanha, nada melhor para iniciar a minha temporada portuguesa do que a vila de Alcochete e a sua tão característica praça de toiros.

Desta vez a minha escolha ficou a dever-se, essencialmente, aos toiros de Infante da Câmara e aos dois grupos de forcados. Se em relação aos toiros as minhas expectativas não foram grandemente defraudadas, no capítulo das pegas o grupo de Montemor não esteve ao nível de outras tardes. Já quanto ao toureio a cavalo, apetece-me dizer que quanto mais vejo, mais saudades tenho do toureio a pé em Espanha…

Os toiros saíram bem apresentados, se bem que díspares de peso (acusaram na balança pesos entre os 480 e os 600 kg) e idade (desde os 4 aos 6 anos). Quanto a comportamento, o destaque vai para o que saiu em 5º lugar um grande toiro, nobre e bravo, a fazer jus ao ditado “no hay quinto malo”.

Rui Salvador continua a acusar algumas falhas de montadas. Mesmo assim, esteve esforçado e conseguiu bons ferros em ambas as lides, intercalados com outros menos conseguidos. Melhor esteve na brega e na preparação das sortes. No primeiro toiro da tarde realce para os 3º e 4º ferros curtos e no último do seu lote ficou-me na retina o excelente 3º curto que merecia música de imediato (mas quem sou eu para opinar sobre isso perante um director de corrida que anda nestas lides há já bastante tempo e que passou alguns anos a pegar toiros?.. Decerto que percebe muito mais de toureio a cavalo do que eu…)

Luís Rouxinol teve, quanto a mim, a melhor lide da tarde, no seu segundo, montado na estrela do toureio a cavalo, a célebre Viajante (é caso para se dizer que quem tem a Viajante toureia e triunfa). Na sua primeira lide destacou-se o segundo ferro comprido, precedido de exímia brega e excelente cravagem. No segundo do seu lote, o primeiro ferro curto foi de levantar as bancadas. Desta vez os pares de bandarilhas, imagem de marca deste cavaleiro, não resultaram como habitualmente.

Marcos Bastinhas destacou-se na lide ao último da fria tarde, com a colocação de três bons ferros curtos (1º, 3º e 4º). Quanto ao resto das suas lides mostrou-se vistoso, com garra e a querer chegar ao público, como é seu apanágio. Um pormenor que retive durante as suas atuações foi o das bandarilhas utilizadas na cravagem dos pares a duas mãos. Pareceram-me mais compridas (o que facilita a “ida” ao toiro) e com menor espessura. Já não chegam as martingalas que constantemente vemos utilizar nas montadas e eis que aparece mais um engano, para não falar do perigo que pode constituir para os forcados (mas, volto a referir, quem sou eu para opinar sobre estas matérias?) …

Quanto às pegas, a tarde começou da melhor forma com uma muito boa pega de Francisco Borges do Grupo de Forcados Amadores de Montemor, com a perfeita marcação de todos os tempos e com o grupo a fechar to muito bem. Frederico Caldeira não conseguiu a pega que por certo desejava perante o terceiro da tarde, um toiro muito reservado, a quem foi preciso entrar nos terrenos e que só saía a toque de capote, Mesmo assim, conseguiu consumar à 2ª tentativa, resolvendo bem o problema que teve pela frente. João Braga não conseguiu dar a volta ao 5º da tarde, que adiantava o piton esquerdo na hora da reunião e só conseguiu concretizar ao 6º intento, uma pega muito pouco ortodoxa.
Os forcados amadores de Alcochete concretizaram todas as pegas ao primeiro intento. A primeira, ao segundo toiro da tarde, esteve a cargo de Fernando Quintela que citou de forma serena, reuniu muito bem e recebeu uma ajuda coesa do grupo. Diogo Timóteo não aguentou bem o toiro, que arrancou com prontidão e mesmo não reunindo da melhor forma, concretizou a pega com boa ajuda dos restantes elementos do grupo. A fechar a tarde de pegas esteve Joaquim Quintela, que citou bem, recebeu ainda melhor, aguentando um ligeiro estranho do toiro ao chegar ao forcado e consumou mais uma boa pega, com o grupo a mostrar grande coesão.

Numa tarde fria, com um público de palminhas, valeu o quinto toiro e a lide que Luís Rouxinol lhe ministrou montado da “grande” Viajante. Esperemos que o tempo mais quente não demore e venha aquecer mais a minha afición…



Por: Catarina Afonso