O “Olé!” e outros programas da nossa Festa…
Depois de muito ler sobre o recente programa da SIC “Olé”, tinha até decidido não me pronunciar sobre o tema, até porque seria dar-lhe demasiada importância. Não vi tal programa, porque fui aos toiros. Se assim não fosse talvez até tivesse ligado a TV na SIC, o que aconteceria pela primeira vez desde há muitos anos, pois desde que assisti a um programa moderado pelo anti Rodrigo que nunca mais vi esta estação de televisão.
Mas como disse, muita coisa se escreveu sobre a emissão deste programa e sobre a participação no mesmo de ilustres taurinos e até de dois grupos de forcados. E foi depois de ler muitos desses comentários e até alguns artigos de opinião que decidi que deveria tecer algumas considerações sobre este tema.
É evidente que o “Olé” em nada dignificou a Festa de Toiros, antes pelo contrário, penso que terá servido pura e simplesmente os interesses anti taurinos da estação de televisão de Carnaxide. Disso não tenho dúvidas, muito menos depois de ler o comunicado que a SIC emitiu sobre o programa em causa. Por isso, considero que todas as manifestações/comentários que os aficionados fizeram a mostrar a sua indignação, foram e continuam a ser bastante pertinentes e necessários à nossa Festa. Mas não devem nunca esquecer-se de que este programa televisivo apenas foi possível com a participação ativa de taurinos ilustres e que é dentro da Festa que estão os seus principais delatores. E isto não se verifica só no âmbito deste tipo de programas, vemo-lo constantemente noutro tipo de manifestações onde a responsabilidade dos ditos agentes da Festa deveria ser ainda maior. E sobres isto, nem uma palavra até hoje (que eu tenha visto…).
Estou a referir-me a dois cartazes anunciadores de corridas de toiros: o da Póvoa do Varzim, dia 14 de Julho e o da corrida do Montijo dia 27 de Julho.
Quando é que em cartazes deste tipo pode aparecer uma fotografia de um cavalo de um conhecido rejoneador a morder um toiro? É esta a imagem que queremos transmitir da nossa Festa?
Se com o programa da SIC se está a denegrir a figura do forcado, símbolo único do nosso país taurino, com estas fotografias não se está a denegrir uma outra “figura” bem mais importante, digo até, crucial que é o TOIRO?
Depois não se admirem que venham os animalistas aproveitar estas fotos para publicitar o que tanto apregoam sobre os maus tratos e as indignidades praticadas aos toiros durante as corridas.
Isto para não falar das manifestações de agrado de alguns “aficionados” perante a prática de tais alardes durante as corridas de toiros (qual cena de circo acompanhada com palminhas…), que incentivam o público que vai às praças a gostar deste tipo de números, fazendo com que cada vez abundem menos os verdadeiros aficionados.
E contra isto ninguém se manifesta? Todos aceitam? É que no meio de tanta indignação contra o programa de televisão emitido no passado sábado, ainda não vi um comentário que fosse a tanta publicidade às corridas de toiros da Póvoa do Varzim e do Montijo…
Por: Catarina Afonso
Texto lido no início da Corrida de Moura, em memória de José Maria Cortes
“ José Maria Cortes nasceu em Lisboa, a 23 de novembro de
1983. Filho de João Cortes, antigo cabo do Grupo de Montemor, desde cedo
acompanhou o pai a corridas e treinos do grupo, fazendo com que a sua paixão
pelos touros e, principalmente, pelo Grupo de Montemor, tenham crescido
naturalmente.
Fardou-se e pegou pela primeira vez a 23 de agosto de 2001,
na praça de touros das Caldas da Rainha. O seu à vontade em praça, a calma com
que citava o touro, o seu poder, a confiança que transmitia e o espírito de
líder rapidamente o levaram a ser uma das referências do Grupo de Montemor e, a
2 de setembro de 2007, a assumir o lugar de cabo.
Durante as 7 épocas do seu mandato manteve o Grupo de
Montemor no topo do escalafón nacional, sendo impossível não recordar o ano de
2009, em que, entre outros, aceitou os desafios de pegar 6 Graves no Campo
Pequeno e 6 Palhas em Évora, tendo sido esta a sua época de maior destaque.
Enquanto cabo reforçou a sua condição como um dos melhores
forcados de cara da sua geração, dando o exemplo pela forma como enfrentava os
desafios sempre com um sorriso na cara, sorriso esse que hoje recordamos…
Pelo forcado que foi, mas principalmente pelo homem, amigo e
exemplo de vida, hoje lhe prestamos esta sentida homenagem.
Zé Maria Cortes será sempre um nome reconhecido na
Tauromaquia e uma referência no Grupo de Montemor.
Até sempre e nunca te esqueceremos…”
Não sei se foi do calor…
Não sei se foi do calor, mas a minha saudável loucura agravou-se na passada quinta feira. Eram quatro da tarde quando pensei em ir aos toiros. E, toiros naquele dia, só no CP, a mais de 300 Km de distância. Mas como loucura é loucura, lá teve que ser…
Não fui pelos toiros de Brito Pais, nem muito menos pela comemoração dos 35 anos da alternativa de João Moura (e deixem-me dizer que isto das comemorações deste tipo já está a ser demais…). A minha única esperança era que o Manuel Telles Bastos tivesse uma noite inspirada, como a última em que o vi e era grande a curiosidade em ver o Manuel Manzanares. E também não fui aos toiros para ver a confirmação da alternativa, já que também é outra coisa que não percebo, neste nosso Portugal das toiradas…
Como não ia “em serviço”, já que esta minha decisão foi tomada mesmo mesmo em cima da hora ( aliás ia até com receio que a corrida esgotasse e eu não pudesse entrar…), pensei que estava na hora de relatar as minhas vivências taurinas no meu recentemente criado blogue.
Só que, com estas longas distâncias entre a minha casa e os centros onde se concentram as “manifestações” taurinas, é-me sempre difícil fazer o relato logo de imediato, ou nas 24 horas seguintes.
De qualquer modo, estes tempos de viagem servem muitas vezes para “meditar” sobre aquilo que vi e sobre o que vou escrever sobre o que vivi naquele momento.
E, desta vez, passadas que foram as 24 horas, decidi fazer algo diferente neste meu espaço: dar a conhecer aos visitantes do meu blogue as diversas opiniões sobre o que se passou nas lides a cavalo, de modo a que possam ter a perceção do que realmente sucedeu, o que não é nada fácil.
Vejamos:
O primeiro espaço na internet a escrever sobre a corrida do CP, já que tal é feito em direto, foi o site taurino Touro e Ouro e contou-nos o seguinte sobre as lides de João Moura:
«Moura, o homem que há mais de 40 anos mudou o rumo do toureio equestre, esteve aqui, em Lisboa, no plano que só ele pode, só ele sabe. Templou, profundizou e concretizou uma brega de sonho, sobretudo na segunda metade da sua primeira prestação aqui em Lisboa, nesta temporada. Terminou com dois palmos de muito boa nota e remates em que manteve uma quase nula distância entre cavalo e toiro.»(1ª lide)
« Moura esteve em plano magistral, dando lição de faculdades, de conhecimentos e de cadencia a tourear. Reuniu com precisão, cravou bem, rematou com piruetas bem ajustadas e triunfou hoje aqui no Campo Pequeno, na corrida que o homenageia pela efeméride que repetidamente aqui já descrevemos.» (2ª lide)
Já o blogue taurino Sortes de Gaiola descreveu-as assim:
« Está a comemorar os 35 anos de alternativa num momento de grave crise de Cavalos. Por crises de cavalos passaram João Nucio, Mestre Batista duas vezes, António Ribeiro Telles, João Salgueiro e outros, e todos sairam delas. O que de facto é verdade neste momento, é que por muito respeito que nos mereça o maestro Moura, não podemos ignorar que as suas prestações actuais são uma sombra daquelas que impressionaram o mundo taurino, como ontem uma vez mais observamos. O Cavalo De saída é bom, mas os de bandarilhas estão muito longe do que é exigido ao de Monforte.
Eu acredito e desejo em melhores dias.. "Quem sabe não esquece..."
E outro:
«Moura em noite de festa pelos seus 35 anos de alternativa, efeméride que o Campo Pequeno quis saudar, teve duas actuações discretas onde só os palmitos com que rematou as lides souberam a mais. Ainda deu ar de sua graça pela brega e ladeios na cara dos oponentes mas, e principalmente no segundo do seu lote, consentiu demais a presença do peão de brega para colocar o toiro na sorte, e os quarteios abertos à distância permitiram algumas passagens em falso.» (in site Naturales-tauromaquia.com)
E mais um:
«Abriu a noite João Moura que realizou duas boas lides, mas sem nunca chegar ao nível de outros tempos. Esteve sublime na brega que executou na cara dos touros. Destacando-se nos ferros de palmo com que encerro ambas as lides.» (Toureio.com)
E ainda outro:
«Foi magistral a primeira lide. Magistral a todos os títulos. Parecia tão fácil o que foi tão difícil. Tão simples e tão arrojado.
A segunda, a um toiro "menos colaborador", teve a marca incrível do saber de um Mestre. Coisa única - que se não descreve. Que enche de emoção a alma de qualquer aficionado. Melhor era impossível. Mas melhor que Moura nunca houve. E por isso...
Apenas um senão: a comemoração na primeira praça do país dos seus 35 anos de alternativa - que são também e principalmente 35 anos de uma glória sem igual - merecia mais público na bancada. Merecia a presença de todos os que lhe devem o que é hoje o toureio a cavalo. Meia casa foi muito pouco para um Toureiro chamado João Moura.
Pena.» (Farpasblogue.blogspot.pt)
E por último:
«O maestro João Moura recebeu bem também sem peões de brega um toiro com 524 kg. de seu nome “Domino”. O primeiro comprido caíu mas redimiu-se nos dois posteriores. Esteve inspirado e laborioso mas algo acelerado. Protagonizou bons momentos na ferragem curta e finalizou a sua lide com dois ferros de palmo. No seu segundo toiro, um “Diabrete” com 610 kg. mesmo no sentido da palavra, esteve algo desacertado, pois o seu oponente cedo procurou refúgio em tábuas, demostrou alguma mansidão e nada trasmitiu e assim foi dificil para Moura mostrar o seu toureio.» (Solesombra.net)
Socorrendo-me dos meus apontamentos (sim, porque sem apontamentos na hora não conseguiria lembrar-me com fidedignidade do que sucedeu…), para mim as duas lides de João Moura seriam descritas do seguinte modo:
Cada vez que cravava um ferro curto, saltava um bandarilheiro para recolocar o toiro e cravava novamente. Não mexeu nos toiros, já que não conseguia (e podia até ser pelos cavalos, admito…). A colocação dos ferros foi feita sempre de forma aliviada, em viagens lateralizadas, procurando o facilitismo das reuniões. O primeiro comprido da primeira lide caiu e o último palmo da segunda lide igualmente. E terminei assim os meus apontamentos: mau de mais…
Sobre as atuações de Manuel Telles bastos, descreveu-as assim o site Touro e Ouro:
«A Manuel Telles Bastos coube conduzir-nos ao equador da corrida desta abrasadora noite.O toiro de Brito Paes cumpriu e Telles também, trazendo mesmo ao 'ruedo' lisboeta um pouco de alegria ao seu jeito clássico e elegante. Recebeu bem com um comprido deixado em sorte de gaiola, dando sequência à sua actuação (brindada a João Moura) com uma série de curtos de boa nota, havendo mesmo um deles que bem se podia transfornar no ícone a resgitar na arte de bem reunir.» (1ª lide)
«A quinta lide da noite, pertenceu ao jovem da Casa Telles. Embora com a mão menos certeira que na primeira das suas actuações, Manuel Telles Bastos protagonizou aquilo a que se chama uma prestação de timbre regular, com um toiro que bem cumpriu.» (2ª lide)
Já no blogue Sortes de Gaiola podemos ler:
« Esteve bem não atingindo no entanto o nivel a que nos habituou esta temporada. Arriscou numa sorte de gaiola, esteve quase perfeito com a égua "Rosa", não fosse um toque violento no penultimo ferro curto fruto de um certo facilitismo. No 2º que ligou esteve correcto, mas talvez um pouco mais de comprometimento com o cavalo com o ferro Rouxinol, tivesse dado outra dimensão ao seu desempenho.»
“Reza” assim o Naturales:
«Manuel Telles Bastos teve duas actuações correctas mas distintas em resultados. Na primeira, e frente a uma rês mais colaboradora, mostrou como se fazem ‘as coisas’, cravando o primeiro comprido à porta gaiola, preparando e rematando as sortes com classe e estando certeiro na ferragem, pese embora o forte toque no penúltimo que cravou e alguma ‘frieza’ das bancadas perante o seu toureio. Já na segunda lide, foram mais as intenções que o bom desfecho com os ferros a resultarem mais irregulares, destacando-se o último, ainda que o toureio de verdade lá estivesse.»
Já o site Toureio.com:
«Manuel Telles Bastos, foi a Lisboa com ganas de mostrar que merece mais oportunidade e que continua moralizado. Na primeira lide começou logo com uma sorte gaiola, numa lide que foi em crescendo e com o cavaleiro a aproveitar o colaborador touro que tinha pela frente, deixando bons ferros de alto a baixo e ao estribo. A sua segunda lide foi um pouco mais discreta, perante um touro mais reservado.»
E o farpas blogue:
« Manuel Telles Bastos é um resistente. Um resistente às modas. Mantém, com a classe que o caracteriza, a marca de antigamente. Foi assim nas suas duas aplaudidas actuações, com ferros de poder a poder, cravados de alto a baixo e ao estribo, como dizem os livros que deve ser. Ou devia ser naqueles outros tempos - que Manuel teima, e muito bem, em manter vivos. Grande e bom Toureiro!»
E, por ultimo o Sol e Sombra:
« Com o terceiro da ordem esteve Manuel Telles Bastos com um “Diabo” com 606 kg. que provavelmente foi o que melhor jogo deu, visto o jovem o ter entendido na perfeição. Recebeu com uma boa porta gaiola, pena o ferro não ter sido o seu melhor, nos curtos esteve soberbo com muita classe e temple, com três curtos de excelente execução, pena no quarto ferro ter tido um toque na montada. No quinto da ordem calhou-lhe um “Dançarino” com 616 kg. em que esteve bem nos compridos e com bons detalhes nos curtos, rematou a sua lide com mais um curto a pedido do público.»
O que eu vi foi um Manuel Telles Bastos em bom plano, principalmente no primeiro do seu lote, mas não ao nível do que ultimamente lhe vi fazer. Os três primeiros curtos que cravou foram de alto nível, só ao alcance dos predestinados para o toureio a cavalo. No segundo que lhe tocou andou mais aliviado, perante um toiro que não apertava e se reservava.
Por último, sobre a atuação de Manuel Manzanares, escreveu-se:
« Depois de um sentido brinde a José Marí Manzanares (seu Pai) e ao seu apoderado Juan Andrés Hermoso de Mendoza, Manuel levou a efeito uma actuação pautada pela correcção e bons momentos de uma brega muito ajustada, a duas pistas, com culminar em bons curtos. O toiro da ganadaria Brito Paes saiu bem e com trapio.(1ª lide) A sua actuação teve várias fases distintas, começando com um comprido excessivamente traseiro, deixando posteriormente uma série de curtos regulares em que foi dada primazia à brega e remates em piruetas. O melhor estaria guardado para o fim, com dois ferros de excelente nota, sendo o último destes aliás, o ferro da corrida. Citou tão em curto, tão em curto que o próprio cite motivou ovação estridente, depois, num palmo de terreno e já bem junto a tábuas, fez batida ao pitón contrário, levantando a bancada.»(2ª lide)
Sortes de Gaiola:
«Apresentou-se bem a cavalo e com os cavalos primorosamente bem arranjados, sem martingalas ( o que hoje é raro nos nossos cavaleiros).
Cravou os melhores compridos da noite, lidou sem partir demasiado o toiro e apresentou uma quadra variada com soluções para todos os problemas que lhe surgiram. Mas o que mais gostei, foi da forma com encarou as lides, sem toureio repetitivo do tipo de quem leva o trabalho estudado e programado, vendo-se o improviso de quem pensa no que está a fazer. Os últimos dois ferros no seu 2º toiro, são a prova cabal do que acabo de dizer... A escassos metros do toiro, foi rodando de cara ao inimigo com suavidade, esperando o momento exacto para bater no piton e cravar com emoção. Q Campo Pequeno e os aficionados esperam por ele. A corrida de Beja não foi por acaso...»
Naturales:
« Manuel Maria Manzanares foi uma agradável surpresa. Evidenciou boas maneiras quer no seu toureio quer como monta, fazendo-se um exemplo a muitos dos nossos cavaleiros. Andou melhor no primeiro toiro que no seu segundo, com um toureio correcto, longe do ‘fogo de artifício’ que muitas vezes está acoplado ao rejoneio, com reuniões cingidas e muito metido com a rês. No que fechou a noite, o espanhol andou mais esforçado perante um toiro mais complicadote, voltou a exibir desembaraço, mas com um toureio mais ‘atravessado’. Levantou praça com o último ferro que deixou com uma batida pronunciada a curta distância.»
Toureio.com:
«Manuel Manzanares esteve melhor do que em Beja, onde o vimos em Abril. Duas lides corretas com o rejoenador a mostrar boas maneiras. Sortes bem preparadas e rematadas, proporcionando bons momentos aos presentes. Destaque para o ultimo ferro da sua atuação, em que pisando terrenos de compromisso e a curta distancia dixou um ferro, que fez soar fortes ovações.»
Farpas Blogue:
« O espanhol Manuel Manzanares, filho de uma lenda do toureio a pé, o Mestro José Maria Manzanares - que ontem esteve ao lado do filho no Campo Pequeno - veio a Lisboa apresentar-se e confirmar a alternativa. Pupilo de Pablo Hermoso de Mendoza, toureia com a verdade e a classe do seu mestre, sem euforias nem "dentadas", sem modas mais ou menos descabidas ou estilos desconcertantes. Toureia à portuguesa, com a tranquila serenidade do seu mestre, com a verdade e a emoção com que toureiam os eleitos - e toureia de frente, não anda por "atalhos". A dinastia Manzanares deixa marcas no toureio a pé e começa também a deixá-las no toureio a cavalo - e Manuel vai longe. Disse-o ontem em Lisboa com duas vibrantes actuações que levantaram das bancadas os muitos aficionados entendidos que lá estavam.
No final e por que se lesionou, após forte embate contra as tábuas, o último toiro da noite, esperámos dez minutos por que fosse embolado o "sobrero". E ninguém arredou pé - o que atesta o interesse do público em esperar pela segunda lide de Manzanares.»:
Sol e Sombra
« Com o propósito da confirmação da sua alternativa abriu praça Manuel Manzanares com um toiro com 612 kg. Com o nome “Diestro”, recebeu bem sem peões de brega aguentando a investida do seu toiro, colocou 2 bons compridos e os curtos da ordem com seriedade, citou de largo e mostrou conhecimentos que terá de aperfeiçoar com o tempo.
A fechar com um toiro de nome “Dulala” com 506 kg. que teve de ser recolhido por se ter lesionado logo á saida dos curros. Abriu com um “Diamante” com 642 kg. com um comprido um pouco traseiro, nos curtos com um toiro muito reservado teve mais dificuldades mas manteve uma lide regular que agradou o público presente. »
E agora o que eu retive e anotei: gostei das boas maneiras do rejoneador, sem grandes piruetas e voltinhas, procurando cravar com verdade. Perante um bondoso e arrobado toiro, que foi o que abriu a corrida, vi-lhe um bom ferro comprido (o 1º), cravado de praça a praça e de alto a baixo. Encerrou a corrida com dois bons ferros curtos, com cites em curto, o último cravado em tábuas em terrenos muito apertados e aguentando bem o toiro.
Já quanto aos forcados, a maioria dos espaços da net não descreve as pegas e outros descrevem pouco. Eu não percebo nada de toiros, mas muito menos percebo de pegas. Apenas gosto de ver pegar…
Mas nesta noite as coisas não correram nada bem para os dois grupos em praça, perante toiros que em nada complicaram a vida aos da jaqueta…
José Broega, do grupo do Aposento da Moita iniciou a noite de pegas, mas na primeira tentativa reuniu mal e saiu da cara. No segundo intento corrigiu, reuniu bem e aguentou-se na cara até à chegada dos ajudas que andaram aos “papéis”… Miguel Zagalo saiu para pegar o segundo toiro da noite, a cargo doa amadores de Portalegre e também só concretizou a pega à segunda tentativa, já que na primeira recebeu mal o toiro, ficando pendurado na córnea e acabou por sair com um derrote lateral. À segunda, com o toiro a reservar-se mais, entrou-lhe nos terrenos e consumou a pega, bem ajudado pelo grupo. José maria Bettencourt, pelos da Moita, foi à cara do terceiro e consumou à terceira tentativa, com as ajudas carregadas, depois de não ter estado bem na cara do toiro nos dois primeiros intentos. Alexandre Lopes, pelos de Portalegre foi o escolhido para pegar o quarto da noite. Citou bem, de largo, mandou vir, mas não recebeu da melhor forma e não conseguiu reunir. Com o toiro muito reservado na investida, corrigiu, recebeu uma grande primeira ajuda de Rui Varela e concretizou uma boa pega. Nuno Inácio do Aposento da Moita pegou o quinto toiro à segunda tentativa, numa boa pega, depois de na primeira não ter conseguido ficar à córnea. A fechar a corrida esteve Ricardo Almeida que no primeiro intento reuniu nas pernas, ainda assim conseguiu fechar-se, mas o toiro a parar-se a meio da viagem e a despejá-lo com dois fortes derrotes. Na segunda tentativa reuniu bem, mas o toiro tirou a cara e fugiu despejando-o junto dos ajudas. Concretizou à terceira com as ajudas carregadas.
Quanto aos toiros, não gostei… Sem chama, a não apertarem nas reuniões, enfim, como agora se diz, toiros nhoc nhoc…mas também não fui à espera de outra coisa…
Para terminar, e penso que foi o que sucedeu (consta aqui dos meus apontamentos), quero referir que estivemos cerca de 15 minutos à espera que saísse o sobrero da corrida, o que na que é designada a primeira praça do país e que pugnou pela eliminação de tempos mortos durante as corridas é inadmissível!... E que, ao contrário do que já vi escrito em algum lado, houve dois forcados (e quem senão eles…) que recusaram dar a volta á arena no final: José Maria Bettencourt e Ricardo Almeida. Um olé para eles!
Por: Catarina Afonso
Até sempre Zé Maria Cortes…
Sempre fui (e continuo a ser) “adepta” dos forcados, dentro do que é uma
corrida de toiros. Dou bastante importância às pegas e muitas foram as corridas
de toiros a que assisti por causa dos grupos de forcados que nelas intervinham.
Foram muitas as vezes que vi corridas do grupo de Montemor, com o cabo Zé
Maria Cortes a comandar. Foram também algumas vezes que vi o Zé Maria a pegar,
quer antes, quer depois de ser nomeado cabo do grupo.
Assisti à
passagem de testemunho da chefia do grupo do Rodrigo Corrêa de Sá para o Zé
Maria Cortes.
A última vez que o vi foi em Arronches, no dia 21 de Junho, a comandar o
grupo na corrida que ali teve lugar.
Apesar de tudo isso, nunca com ele convivi muito. A última vez que
falámos foi há uns tempos atrás, na sequência da criação deste blogue, falei
com ele e disse-lhe que gostava de aqui publicar um texto dele sobre uma
pergunta que lhe propus. Respondeu prontamente que sim, dizendo que assim que
tivesse uns minutos, me enviava um email com isso. Fiquei sensibilizada com
esta sua atitude e estava expectante em saber qual iria ser essa sua resposta…
Mal imaginava o que iria suceder…e fiquei chocada com a notícia. Logo
agora…tão cedo!? Mas porquê??...
Fiquei sem palavras e só agora consegui escrever estas linhas para
expressar o meu mais profundo pesar pela morte do Zé Maria e para lhe dizer
que, onde estiver, lá no alto, para onde olhava muitas vezes durante as pegas
do seu grupo, que eu sei qual seria a sua resposta à minha pergunta…
Por: Catarina
Afonso
Afinal a Montanha Pariu um Rato…
Neste fim-de-semana teve lugar mais uma “maratona” do Refúgio do Aficionado, com a presença em três corridas de toiros: Arronches (dia 21), Alcácer do Sal (dia 23) e Badajoz (dia 24).
Destas três corridas, confesso que a que aguardava com maior ansiedade era a de Alcácer do Sal, pela novidade que eram para mim os toiros de Monteviejo, conhecidos como os patas blancas.
Foi basta a publicidade, como deve ser nestas ocasiões, com fotografias dos toiros a circular pelas redes sociais, mostrando a sua seriedade e excelente apresentação. Saídos da Finca de las Tiesas, de imediato foram divulgados os pesos ao embarque, num trabalho bem desenvolvido pela empresa organizadora.
Tudo isto, aliado ao facto de nunca ter presenciado uma corrida na praça de toiros que leva o nome dessa enorme figura do toureio a cavalo, João Branco Núncio, faziam desta a corrida de maior expectação das três a que iria assistir no fim-de-semana do S. João.
Chegada à praça de toiros, fui de imediato consultar o BI dos toiros e constatei, para além do peso, a idade de cada um deles: os dois primeiros da ordem de lide estavam ferrados com o algarismo 7 e os quatro restantes com o 8. Ou seja: os dois primeiros toiros tinham a proveta idade de seis anos (e mais uns meses…) e os restantes de cinco. Logo aí pensei: “isto são toiros com muita idade, muito sentido…não sei o que isto irá dar, principalmente para os forcados…”. Mas, reconheço, também, de imediato, censurei: “isto são toiros que não saíram em Espanha e agora vieram baratos…”.
Seja lá como for, a verdade é que a expectativa que trazia manteve-se, embora ficasse a pensar que, se calhar, nas lides a cavalo, “aquilo” não iria dar para fazer nada.
E lá fui eu presenciar a corrida, a qual descrevi em escrito publicado no site toureio.com. Relativamente ao motivo maior da minha expectação, os toiros, saíram mansos, com escassa mobilidade e sem grande codícia, para aquilo que estava à espera. Tanto assim foi que, nos forcados, nem complicaram nada, com as pegas a acontecerem com normalidade e sem grandes dificuldades (já sei que uma pega nunca é fácil…). Toda a minha expectação quase que desembocou em desilusão, não fosse o grande maestro António Telles a não deixar que tal acontecesse.
É caso para dizer agora que, afinal a montanha pariu um rato e que, muitas vezes os toiros aguardados com maior expectativa, são os que mais desiludem…
Por: Catarina Afonso
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