Ultrapassámos os 1.000!!!






Tinha prometido a mim mesma que quando a minha página atingisse os 1.000 gostos no Facebook faria uma “Festa”… Claro que não haveria foguetes, nem fogo-de-artifício, muito menos jantares, nem entrega de prémios. A minha comemoração passa única e simplesmente por voltar a escrever neste meu blogue e lembrar-me da “Festa” do modo como eu a vejo e como a vivo. Não, não é por criticar da forma que o faço que deixo de viver a Festa dos Toiros de forma intensa e muito apaixonada.
A propósito, assisti ontem a uma entrevista com o maestro José Miguel Arroyo “Joselito”, da qual retive algumas ideias que vão de encontro ao que eu penso e outras que me trouxeram algo de novo. Disse o maestro que os chamados críticos taurinos não devem dizer “mal” da Festa, ou melhor, não devem realçar apenas o que está mal e que esse é um dos factores que contribui para o estado em que a mesma se encontra. Concordo que sim, apenas com uma ressalva: para bem da Festa devemos continuar a defender os valores em que acreditamos e não nos deixarmos levar em facilitismos, elogiando tudo e todos, atribuindo prémios “a torto e a direito”, sem critérios e só por que sim.
Por isso continuarei a dizer o que sinto e o que defendo para a Festa que quero. E se, neste momento, esses valores cada vez mais escasseiam, na altura em que desaparecerem por completo eu sairei também da cena em que cada vez menos me revejo.
Disse também o grande “Joselito” (e confesso que gosto tanto deste como do José Miguel Arroyo) que o mais importante na Festa é o Homem. Fiquei perplexa!!! Então eu que sempre tenho ouvido dizer que o mais importante é o toiro oiço agora esta importante figura dizer que não é assim?! Mas a sua explicação tem todo o sentido: é o Homem que “faz” o toiro…E para além deste, temos o Homem que apodera, temos o Homem que é empresário, temos o Homem que é aficionado. E é este Homem, nas suas várias facetas que constrói (ou destrói) a Festa.

            Bem, mas o que aqui me trouxe hoje foi realmente a dívida que tenho para quem gosta desta minha página, sem qualquer tipo de interesses ou contrapartidas. E já são mais de mil, o que, para uma modesta apaixonada pelos toiros, é deveras encorajador e reconfortante. Obrigado, pois, a todos quantos contribuíram e contribuem para este meu Refúgio. Saudações taurinas para todos!



Por: Catarina Afonso

Pegas da corrida do dia 14 de Agosto em Alcochete







Quando o toiro é toiro, vale a pena!



[ Alcochete, 14 de Agosto de 2014 ]

Se na primeira da feira de Alcochete o cartel prometia no seu todo, já na segunda corrida o grande aliciante era a despedida de um grande forcado e cabo de um dos grupos da terra.
E então o que me fez não perder a última desta “minha” feira taurina?
Bem, como disse já, custa-me muito contribuir para a festa que temos. Mas, como também já referi, para mim Alcochete é Alcochete, desde sempre apregoada como a feira do toiro toiro, ou então a feira da verdade do toiro toiro. Na maior parte dos anos em que marquei presença, este slogan foi confirmado na arena e só raras vezes a verdade do toiro foi mentira.
Desta vez foi à procura da verdade do toiro ou, se quiserem, do toiro de verdade que me dirigi a Alcochete para presenciar a última corrida da feira taurina deste ano. Até porque se tratava de uma das ganadarias da minha preferência (talvez não da preferência da maioria dos cavaleiros da nossa “praça”, mas isso são contas de outro rosário…).
E, mais uma vez, não me enganei: o maior aliciante, para mim, no início eram os toiros e foi o que realmente veio a acontecer. Os “castros” foram na verdade os grandes triunfadores!
Se os primeiros dois da noite deixaram algo a desejar, as coisas foram melhorando com o decorrer da corrida e os cinco restantes foram já daqueles de eu gosto, quer em termos de trapio, quer em apresentação e comportamento. Sim, porque estes são daqueles que é preciso tourear… O que encerrou a noite fez-me até comentar: “este é daqueles à intiga!”. Bravo bravo foi apenas o quarto que, merecidamente, fez com que o ganadero fosse chamado à arena.
E pensarão agora: e o resto? Bem, quanto ao resto apenas registei alguns apontamentos dignos de nota positiva.
João Moura esteve discreto, com cravagens à garupa e o segundo dos curtos até pescado. Claro que ouviu música ao segundo curto (é já habitual nas nossas direcções de corrida) e saiu prontamente para a volta a arena (se calhar por falta de lenços…).
Rui Salvador não se entendeu com o toiro que lhe tocou em sorte e apenas nos quatro últimos curtos mostrou aquilo que sabe fazer e deixou quatro ferros muito bons.
Sónia Matias alternou ferros de nota positiva com outros menos bons. Ainda assim, nesta noite foi do que menos mau se viu.
A par de Filipe Gonçalves que cravou os melhores ferros da noite, sendo que o terceiro curto foi de alto nível, com emoção na reunião e com o toiro a ir bem lá acima.
Quanto a Manuel Lupi e a Mateus Prieto, apenas anotei que não ouviram o som da melhor banda de Portugal. E nesta “nossa” festa para que um director não conceda música…
Já Jacobo Botero, devia ter saído após a colocação do último ferro curto, o seu melhor. Continuou em praça para a colocação de um violino em que consentiu forte toque na montada e saiu sem pena nem glória.
Também aos forcados os “castros pediram contas…
Por Évora iniciou a noite Gonçalo Rovisco que embora não reunisse da melhor forma consumou a pega com o toiro a derrotar forte aquando da chegada das ajudas junto a tábuas. Dinis Caeiro saiu para pegar o terceiro da noite e consumou apenas à quarta tentativa, a sesgo, à meia volta e com o grupo todo em cima, sendo que nas duas primeiras entradas não esteve bem a receber o toiro e na terceira saiu com um forte derrote lateral. João Madeira não recebeu o toiro da melhor forma na primeira tentativa, não conseguindo fechar-se e concretizou a pega ao quinto da ordem ao segundo intento com o primeiro ajuda em curto. Fechou a noite de pegas o forcado João Pedro Oliveira que não complicou e com o grupo a ajudar bem.
Os de Alcochete começaram com Joaquim Quintella que perante o “pára/arranca” e a investida muito reservada do toiro conseguiu uma reunião difícil mas correcta para uma boa pega à primeira tentativa. Leandro Bravo foi o escolhido para pegar o quarto da noite e sentiu a dureza do toiro na primeira entrada, saindo após fortes derrotes. Consumou à segunda já com o toiro a não complicar tanto. João Gonçalves encerrou pelos da terra com a pega da noite. Citou algo apressadamente, conseguiu uma grande reunião e aguentou uma enormidade os fortes derrotes até à chegada das ajudas. Destaque para a grande ajuda dada por Diogo Toorn que, no final, muito justamente, foi chamado para a volta.
E pronto, terminou mais uma feira taurina de Alcochete e, se não foi das melhores a que já assisti, pelo menos teve o condão de fazer renascer em mim a vontade de voltar às “lides”. Já valeu a pena!



Por: Catarina Afonso

Na segunda de Alcochete apenas um momento




Depois de me encher de toureio na corrida de domingo, uma nova alma renasceu em mim e não consegui resistir a mais uma corrida da feira taurina de Alcochete, a fazer-me lembrar tempos idos em que passava uma semana nesta linda vila, por ocasião das festas de barrete verde e não perdia uma corrida. Bons tempos aqueles em que ainda acreditava piamente em tudo o que rodeia o mundo da tauromaquia em Portugal. Não é que hoje tenha perdido a minha fé taurina, mas já não acredito em tudo.
Nesses tempos até consideraria que o cartel desta noite era imperdível em todos os aspetos. Neste momento, mesmo com a alma cheia de toureio, apenas a despedida do enorme forcado que é João Salvação constituía motivo para não perder esta corrida.
Dos toiros de José Lupi não há muito para contar, nem bem nem mal… Ou, como é da praxe taurina, pode dizer-se que cumpriram. Mas, como disse já por várias vezes, eu de toiros percebo muito pouco (mas gosto muito). Ainda assim, e correndo o risco de estar para aqui a dizer asneiras, em termos de apresentação, os primeiro e quarto não me pareceram rematados e gostei especialmente do quinto da ordem. O que menos cumpriu em termos de comportamento foi o segundo da noite.
Quanto aos cavaleiros também não me vou alongar, pois que, depois dos momentos que vivi na corrida anterior, seria difícil qualquer repetição ou uma qualquer semelhança que fosse.
Da atuação de Rui Fernandes guardei na memória ( e no papel, claro) o 3º curto da sua primeira lide e a forma como soube sair no final da segunda. Do restante retive a ideia de que houve menos influências rejoneadoras no toureio que praticou, o que, para mim, já é algo de muito positivo.
A João Moura Jr já o vi fazer melhor, sendo que é o que mais aprecio na casa Moura. Sem que tenha estado mal, o que mais me tocou na sua primeira lide foi a preparação de um ferro que, infelizmente falhou: cite de praça a praça e reunião emocionante, dando vantagens ao toiro. Da lide ao segundo que nesta noite lhe tocou em sorte, nada de especial a registar, a não ser que poderia ter aproveitado o toiro mais encastado da corrida.
João Telles durante a lide ao segundo da noite esteve muito bem na brega, o que é apanágio das “gentes” da Torrinha e, quanto a mim, cravou o ferro da noite, o terceiro curto, com cite de praça a praça, dando amplas vantagens, aguentando até ao limite e cravando em terrenos de tábuas. No seu último e último da noite, não gostei de o ver nos compridos, melhorando a execução dos ferros curtos. Surpreendeu-me positivamente o facto de não ter exibido um dos seus números habituais: violino seguido de palmo.
No que às pegas diz respeito, faltou a emoção do toiro toiro tão característica de Alcochete, o que equivale a dizer que os toiros não impuseram grandes dificuldades à forcadagem do Aposento do Barrete Verde. O novo cabo, Marcelo Lóia, iniciou a noite de pegas. Esteve bem no cite e a recuar, conseguindo uma boa reunião, com o grupo a ajudar de forma coesa e sem que o toiro complicasse. Para o segundo da noite saiu César Nunes que perante a arrancada pronta do toiro, esteve mal a recuar e a reunir, saindo da cara. Na segunda tentativa, apesar de não ter reunido da melhor forma, conseguiu aguentar bem na cara do toiro e, com as ajudas a tardarem, conseguiu consumar a pega. Alfredo Caballero saltou para a terceira pega e apesar de não ter estado bem a mandar vir o toiro, recuou e reuniu muito bem e consumou uma boa pega. O quarto da ordem foi pegado por Bruno Amaro à segunda tentativa. Na primeira não conseguiu agarrar-se, mas emendou bem na segunda entrada ao toiro conseguindo uma boa pega. João Salvação despediu-se das arenas a pegar o quinto da noite. O toiro saiu de pronto e com pata, mal avistou o forcado, este recebeu-o muito bem, como ele sempre soube fazer e consumou a pega, com o grupo ajudar bem.
E aqui assisti ao grande momento da corrida: a despedida desse grande forcado, que ficará para sempre na memória dos bons aficionados. Bonito e emocionante foi ver a praça cheia toda de pé a aplaudir um forcado…indescritível!
António Gomes encerrou a noite de pegas, consumando também ele à primeira tentativa, sem grandes dificuldades, apesar de não ter recebido o toiro da melhor forma.
E pronto, lá estive eu novamente em mais uma corrida, cujo aliciante que previa no início foi o único que valeu a pena: a despedida desse enorme forcado que é João Salvação, por todos os aficionados conhecido como o “Ninan”. Obrigado forcadão por mais este grande momento!




Por: Catarina Afonso


Pegas da corrida do dia 10 de Agosto em Alcochete





Alcochete, 10 de Agosto










Fotos de: Catarina Afonso

Que saudades, Deus meu






[ Alcochete, 10 de Agosto de 2014 ]

Cada vez me custa mais contribuir para esta “nossa” Festa (e fiquem sabendo que a minha contribuição ao longo da minha ainda curta vida de aficionada tem já acumulados vários milhares de euros). Mesmo assim, tinha já decidido que seria no concurso de ganadarias de Alcochete que voltaria a estas “lides”. Por ser Alcochete, por ser o concurso de ganadarias de Alcochete, por serem os forcados de Alcochete…
E em boa hora escolhi esta corrida para o meu “regresso”! Sim, porque nada melhor que esta corrida para me motivar a ir de novo aos toiros, apesar de saber que nesta “nossa” festinha nada mudou. Não mudou a atitude dos nossos empresários que continuam a ser cada vez mais amadores na organização das corridas (ou se calhar mais poupadores); não mudou a atitude dos nossos directores de corrida que continuam a permitir a circulação de vendedores pelas bancadas durante as lides e as constantes “andanças” de fotógrafos pela trincheira que constantemente distraem o toiro durante as lides, a conceder música a todos os cavaleiros independentemente do seu mérito, que continuam a permitir voltas à arena sem que os intervenientes as mereçam, etc. etc. E como se isto não bastasse agora até já aos cavalos é concedido o prémio de dar a volta ao ruedo. Confesso que não gosto. Parece-me mais uma coisa de rejoneodores, como outras que se vão implementando nos hábitos dos “nossos” cavaleiros.
Bem mas isto sou só eu a desabafar… Por isso passemos à narrativa.
Quando cheguei a Alcochete para adquirir os bilhetes para a corrida e vi os pesos dos toiros pensei: «bem isto já não é como “antigamente”, em que víamos neste concurso pesos na ordem dos seiscentos e mais quilos». Mas confesso que também, de imediato me veio ao pensamento aquela máxima de que os toiros não se medem aos quilos. E pronto, lá esqueci o cartaz que continha a identificação dos toiros a concurso…
Por falar em toiros, há já muito que não via um bravo como o de José Pereira Palha, logo o primeiro desta ganadaria que vi numa corrida. Se todos forem assim, venham mais destes para ver se alguma coisa muda! Que saudades tinha de ver um bravo como este! Que “grande” toiro!
E que saudades tinha de voltar a ver o Maestro António a tourear… E não só a tourear o toiro, mas a mostrar como deve um toureiro estar em praça. António Palha Ribeiro Telles é um Homem Toureiro em tudo o que faz: a conduzir a montada, a colocar o toiro, a cravar, dando a mesma importância tanto aos ferros compridos como aos curtos, a saber sair no momento certo (sem procurar que o público que está junto da porta dos cavalos peça mais um ferro), a dar a volta à arena apenas quando considera que é merecida (não se “pendurando” no forcado nem procurando dar uma segunda volta após uma grande lide, como foi o caso da sua segunda), a ter a humildade de sair pela “porta dos forcados” quando a estes a pega não correu da melhor forma e tiveram a dignidade toureira de recusar a volta. Enfim, que saudades tinha de ver este grande Maestro Toureiro. Obrigado Mestre António por me ter voltado a fazer sentir vontade de ir aos toiros!
Como se isto não fosse suficiente tive ainda o privilégio de assistir a uma grande lide de Vítor Ribeiro, uma daquelas a moda antiga (das que ele costumava fazer…), perante um toiro de bandeira, com ferros de criar molas debaixo do rabo (perdoem-me a palavra, mas foi mesmo isto que me aconteceu em quase todos os ferros desta última lide). Pena foi aquela “chamada”do Nicotina para a volta à arena…mas pronto, há quem goste e há coisas bem piores neste “nosso” toureio a cavalo.
Quanto a Rouxinol, apenas retive aquela mal dada volta à arena, que se tornou bem pior depois daquela enorme pega do Nuno Santana. E também as pegas me trouxeram à memória as grandes pegas a que assisti nos concursos de ganadarias nesta praça. Obrigado Ruben, obrigado Belmonte, obrigado Tomás, obrigado Vasco, obrigado grupo de Alcochete por também vocês fazerem de novo renascer em mim o gosto em assistir às corridas de toiros à portuguesa!...
Bem e não me quero alongar mais, que quem quiser ler este meu desabafo não merece que eu esteja a massacrá-lo.
Espero ter vertido nestas linhas o que senti nesta tarde…
Esta foi só para matar saudades…e, como diria o poeta, que saudades Deus meu!


Por: Catarina Afonso

De regresso às minhas lides…e às pegas, claro…






Decidi há muito que esta corrida em Almeirim seria uma das que não me poderia “fugir”. E foi já a salvo de formalismos e cuidados sobre o que escrevo que me fiz ao caminho. Várias eram as razões que motivavam esta minha decisão: o confronto entre duas dinastias de toureiros, daqueles que ainda preservam a essência do toureio a cavalo (de verdade e com verdade) foi o primeiro motivo. Depois, seria a última vez em que iria assistir a uma corrida em que o grupo de forcados de Montemor iria ser comandado (formalmente) por José Maria Cortes.
Confesso que é para mim difícil estar a escrever sobre mais esta minha “aventura” taurina numa altura em que esse grande forcado está a ser homenageado e a passar o testemunho ao novo cabo do grupo.
Por isso mesmo vou começar por dizer que, nesta noite, o Zé Maria comandou o seu grupo de forma exemplar, tendo os elementos escolhidos para irem à cara dos toiros pegado à primeira tentativa e com boas pegas, numa actuação (mais uma) memorável deste grupo de forcados. E também quero dizer que, desde que o Zé Maria passou a comandar o grupo lá do alto, que tenho assistido a grandes actuações e grandes pegas…
Tenho que confessar também que o elemento que nesta noite me fazia recear pelo insucesso da corrida era o toiro. Os toiros da ganadaria de José Lupi não são dos meus preferidos, se bem que também não os tenho visto muito. Mas, desta vez, surpreenderam-me pela positiva. Sem serem bravos, longe disso, deixaram-se lidar e até “empurraram”, pelo menos por detrás do cavalo. Mostraram-se reservados, uns mais do que outros, e o que saiu em quarto lugar foi um manso que desde cedo se refugiou em tábuas e não mais de lá saiu. Não eram pesados em demasia (entre os 505 e os 540 kg) e estavam bem apresentados, com o senão da cara do terceiro da ordem.
Das lides a cavalo não vou comentar muito. E por uma simples razão: o toureio a que assisti foi do bom, daquele caro, que merece bem o valor que se paga por uma entrada/bilhete.
A lide a duo de António Telles e do seu sobrinho João foi soberba. Entendimento perfeito, cooperação e ferros de alto gabarito foram a tónica de uma lide que vai, por certo, ficar na história das lides a duo. Deu gosto ver… Olé!
A lide a duo da dinastia Salgueiro foi de menos a mais, acabando em muito bom plano, com dois pares de ferros, cravados no ressalto um do outro e após uma preparação primorosa. Também gostei de ver…
As lides a solo, todas elas tiveram momentos muito bons. João Salgueiro optou por citar de largo e ir de encontro ao toiro e, nos terrenos deste, deixar bons ferros de alto a baixo e ao estribo, como o segundo curto, para mim o que mais se destacou, numa boa lide.
João Salgueiro da Costa alterna momentos soberbos com outros menos bons. No dia em que conseguir corrigir teremos, por certo, um grande toureiro. Dentro do melhor (1º, 2º e 5º ferros curtos e 2º comprido) e do pior (1º ferro comprido e 4º curto, em que falhou descaradamente o toiro), assisti a um grande ferro, o terceiro curto.
António Telles teve pela frente um manso ao qual deu a lide correspondente, mostrando, como em muitas outras ocasiões que os mansos também têm a sua lide e demonstrando como se faz… Depois de cravar três compridos no espaço de uma moeda, viu-se obrigado a cravar a ferragem curta em sortes sesgadas, tendo eu retido o grande terceiro ferro curto, com o manso a apertar mais na reunião.
João Telles teve, quanto a mim, a melhor lide da noite. Sempre muito correcto na brega e deixando ferros sempre em sortes frontais, precedidas de ligeira batida ao pitón contrário, terminou com um grande ferro, indo de encontro ao toiro, provocando-lhe a investida, entrando-lhe nos terrenos e cravando de alto a baixo em reunião cingida.
Pelos forcados amadores de Santarém começou António Grave de Jesus, que entrou nos terrenos do toiro, sacou-se e reuniu bem, mas faltou uma primeira ajuda com maior determinação e acabou por sair. Na segunda entrada não recuou e, nos terrenos do toiro, não conseguiu reunir. Consumou á terceira tentativa, numa reunião defeituosa e com ajudas carregadas. Lopo de Carvalho e Ricardo Tavares saltaram para a cernelha ao terceiro da noite e, à primeira entrada, consumaram uma muito boa pega, mostrando o que não é hoje muito habitual ver nas nossas praças. João Torres foi à cara do quinto da ordem e na primeira tentativa não recebeu bem um toiro que saiu de pronto e não conseguiu reunir. Consumou à segunda com o toiro a seguir pelo seu caminho e a não dificultar a chegada do grupo.
Montemor teve uma noite perfeita… João Pedro Tavares foi o escolhido para pegar o segundo da noite. Marcou perfeitamente todos os tempos e consumou uma boa pega, das chamadas tecnicamente perfeitas. Manuel Dentinho pegou o quarto da corrida, depois e um bom cite, a dar vantagens, entrou nos terrenos do manso e acobardado, recebeu uma boa primeira ajuda e consumou mais uma muito boa pega. A encerrar para os de Montemor esteve João Braga. O toiro saiu de pronto e com pata, o forcado reúne muito bem, aguenta derrotes e viaja até embater com algum impacto nas tábuas onde o grupo fecha com coesão.

E pronto, para o regresso às minhas lides, a coisa esteve muito bem e valeu a pena, muito mesmo…



Por: Catarina Afonso

Almeirim, 31 de Agosto














Fotos de: Catarina Afonso



E pronto, cansei-me!...



Quero informar todos os que seguem este meu blogue que a partir desta data deixarei de realizar crónicas para o site toureio.com, com quem vinha colaborando, de forma desinteressada, quase desde o início da temporada.
Sempre gostei de descrever aquilo que presencio, ao vivo e no momento, mesmo que saiba que, por vezes posso estar sujeita a errar. Mas errar é humano e nunca tive problemas em reconhecer e assumir os meus erros. Geralmente, tudo o que é descrito no momento, com base no que se presencia e sem repetições corre sempre esse risco.
Nunca estive, não estou, nem nunca estarei ao serviço de quem quer que seja e, muito menos, alguma vez regateei junto de quem quer que fosse qualquer contrapartida para dizer aquilo que não vi ou omitir aquilo que de mau ou menos bom se passou.
Foi com base nestes princípios que decidi criar este meu espaço, única e simplesmente com o intuito de divulgar as minhas vivências enquanto aficionada e, mais do que isso, apaixonada pela festa de toiros. O relato dessas minhas vivências e sobre o que penso sobre este mundo não têm outra intenção que não seja a de contribuir para a sua melhoria. Embora reconheça que essa não é uma tarefa fácil.
Não posso aceitar, por isso, que aquilo que escrevo possa estar sujeito a censura e a recomendações/recados de quem quer que seja. Quando tão insistentemente fui convidada a escrever para o toureio.com foi decerto por terem visto o meu trabalho neste blogue e terem gostado.
Não impus qualquer condição, a não ser a de que seria publicado aquilo que eu escreveria sobre o que presenciei e a de que nunca iria deixar este meu espaço, o que foi aceite.
Se não posso dizer que um ferro foi aliviado ou passado, quando o foi, porque é “pesado” demais, então tenho que omitir esse facto ou dizer que foi cravado de forma correcta, o que seria mentir.
Muito menos posso aceitar que uma crónica minha que pretenderam que eu alterasse e à qual colocaram alguns entraves na sua publicação, seja um dia depois retirada de “circulação” sem qualquer explicação.
Eu sei, e com esta experiência fiquei a saber mais ainda, que nisto dos toiros deve dizer-se sempre o melhor, deve elogiar-se toda a gente e apregoar triunfos todos os dias…
Desculpem, mas a minha maneira de estar na vida e, consequentemente, na Festa não é essa e não vejo as coisas dessa forma.
A minha curta experiência como colaboradora do toureio.com foi enriquecedora, aprendi algumas coisas que não sabia, mais más do que boas, mas talvez por isso me servissem para aprender.
Agradeço ao toureio.com ter-me concedido esta oportunidade, mas vou continuar no meu “mundo”, da forma que acho que devo ser e estar.
Obrigado a quantos me leram e elogiaram os meus modestos escritos e desculpem qualquer coisinha…
Já agora, podem sempre continuar a ler as minhas vivências taurinas aqui neste meu modestíssimo espaço.



Por: Catarina Afonso

Pegas da corrida de Alter do Chão




É por estas e por outras...



A distância a que me encontro de Lisboa tem encargos financeiros que só consigo suportar por um motivo sério e muito válido. Claro que este não era o caso e então decidi não ir ao CP, para presenciar esta corrida organizada pela casa Caetano, desculpem, pela Soc.  Campo Pequeno, desta vez com o apoio da RTP. Mas agora tive a sorte, desculpem o azar, de poder ver a corrida pela televisão e, por isso, decidi contar a minha vivência enquanto telespectadora, à semelhança do que acontece quando presencio, ao vivo, uma corrida de toiros, embora de forma diferente.
De atractivo especial esta corrida TV nada tinha, pois com os toiros que estavam anunciados nada de bom podia acontecer. Se isto pensei antes da corrida, mais reforçada ficou esta ideia no final da mesma… Toiros sem classe, sem trapio, sem raça, enfim, sem nada…desculpem, tinham peso…
Depois, como se isto não bastasse, ainda havia comentários e entrevistas, o que, felizmente, nas corridas ao vivo não tenho que aguentar. E aquela entrevista ao João Ribeiro Telles (pai) no decorrer da lide de seu filho? Que enorme falta de respeito!!! Foi mau demais!!! E aqueles inoportunos comentários à sábia opinião de Vasco Pinto, cabo do grupo de forcados de Alcochete, sobre a actuação do seu grupo? Quando se deve educar o público no sentido de este exigir o cumprimento das regras e do toureio de qualidade, vemos isto… Mas, enfim, nada a que não estejamos habituados e por isso é que a nossa Festa anda como anda…
Eu até reconheço que não é nada fácil comentar ou narrar em directo o que se vai passando numa corrida de toiros, mas sinceramente…
Quanto ao toureio propriamente dito e tendo em conta as limitações decorrentes de estar a ver a corrida pela TV, agravadas pela má realização, pouco, muito pouco mesmo há a dizer de importante. Ferros ao estribo? Muito poucos ou quase nenhuns (e nas repetições é que dá bem para ver…)… Toureio de verdade, com entradas frontais a provocar as investidas dos mansarrões? Nada…
 Ficou-me na retina um bom ferro curto do João Telles na primeira lide e nada mais de muito relevante. João Moura Caetano não repetiu os “triunfos” que tem alcançado em todas as praças por onde tem passado (ou será que triunfou?) e das suas duas lides nada de positivo pude reter. João Maria Branco, talhado que estava pela empresa organizadora do festejo para receber o prémio final, mostrou muita exuberância, mas tem ainda muito caminho para andar e com outro rumo. Aquela saída à Bastinhas no final da sua última actuação foi do melhor…sim, melhor do que a que faz o cavaleiro de Elvas, pois neste caso até envolveu um beijo à areia do ruedo da capital…
Os forcados, nuns casos pagaram as favas de terem pela frente toiros com muita força, que pouco ou nada se moveram nas lides a cavalo e que eram bruscos na investida e noutros a suavidade e cobardia dos murubes, ainda por cima mansos e sem classe. Os de Alcochete não estiveram nos seus melhores dias e, como bem reconheceu o seu cabo, não andaram bem nas ajudas – principalmente cá atrás – e algumas das tentativas não deram em pegas (das boas) por falta de coesão e determinação. Para o grupo do aposento da Moita as coisas correram muito melhor e consumaram boas pegas, com bastante correcção e técnica e levaram para casa o prémio em disputa.
Falando em prémios, com toiros destes não ficou bem atribuir prémios, até porque não houve lides que merecessem ser premiadas…
E pronto, três longas horas em frente do televisor a ouvir e a ver uma corrida de toiros sem qualquer interesse, numa praça que deveria ver corrigida a sua classificação, pois mais parece uma qualquer praça de segunda no nosso país taurino do que, como a intitulam, a principal praça nacional…



Por: Catarina Afonso

Ou a nossa festa está num grande momento, ou é obrigatória a entrega dos prémios…






Geralmente todas as corridas de toiros são anunciadas por ocasião de uma qualquer festividade ou para comemoração de qualquer acontecimento, sendo que é habitual que tenham lugar, todos os anos, na mesma altura.
Desta vez, em Alcácer do Sal, realizou-se uma corrida de toiros sem que houvesse qualquer feira ou festa que a justificasse, nem que houvesse qualquer efeméride a assinalar. Nem sequer a data era uma data em que habitualmente, em cada ano, se realizasse. Apesar disso, a casa esteve composta, sinal de que o cartel e a ideia dos toiros, cavalos & fados passou bem para o público.
Se a data não era habitual, habitual se tem tornado a atribuição de prémios: prémio para a melhor lide e prémio para a melhor pega. E a verdade é que ainda não vi, esta época, qualquer destes prémios ter ficado por atribuir. E das duas uma: ou a nossa festa está num grande momento, com cavaleiros e forcados a actuarem ao mais alto nível, ou então é obrigatória a entrega dos prémios. Se é verdade que todos os dias vemos anunciados grandes triunfos em todas as corridas, eu, como não acredito nesses triunfos, fico-me pela segunda hipótese que coloquei, ou seja, já que há prémio então que seja atribuído. E se assim é e como eu não acredito em triunfos todos os dias, então que conste, em vez de “prémio para a melhor lide” e “prémio para a melhor pega”, “prémio para a lide menos má” e “prémio para a pega menos má”. E assim poderá ser reposta com maior verdade a atribuição de prémios…
Nesta noite foram os toiros que me levaram a Alcácer e, desta vez, não me desiludiram. Sem serem grandes e pesados, são verdadeiramente portugueses e, como o algodão, não enganam. Saíram a pedir contas a cavaleiros e forcados, mostraram a casta de onde procedem e foi preciso saber tourear para poder com eles. Gostei dos pequenos Vale Sorraia…
Quanto a cavaleiros, venceu o prémio para a melhor lide o cavaleiro Vítor Ribeiro, pela sua primeira actuação perante o segundo toiro (quinto da ordem, uma vez que o segundo se lesionou). E venceu porquê? Porque foi o que esteve menos mal e porque foi o que mais procurou tourear com verdade, sem a preocupação de tourear o público e com a séria vontade de tourear o toiro que tinha pela frente e fazer as coisas bem feitas: ferros colocados ao estribo, de alto a baixo e em reuniões ajustadas, e procurando sempre os melhores terrenos para cravar, não permitindo demasiadas intervenções dos seus bandarilheiros. Claro que nem sempre o conseguiu, mas foi isto que aconteceu na maior parte das vezes e, quanto a mim, foi merecido o prémio para a lide menos má…
Rui Fernandes, na primeira lide, esteve bem com o toiro e os seus bandarilheiros também, já que foram demasiadas as suas intervenções… Na cravagem nem sempre houve justeza nas reuniões e, na maior parte das vezes, os ferros não foram colocados ao estribo. É verdade que chegou ao público, mas para isso não é necessário cravar bem e lidar bem, bastam umas piruetas e umas rosas á volta e o público (grande parte dele) delira…
Paulo Jorge Santos também ele conseguiu chegar facilmente ao público (e convenhamos que difícil é não chegar). Não começou mal, embora privilegiasse os quiebros em desfavor das entradas frontais, mas venceu nele a parte do tourear o público e então a sua preocupação pelo momento mais importante esvaiu-se e a sua passagem pela praça que leva o nome do Califa apenas chegou ao público e nada mais. Dele apenas retive os ferros de palmo à espanhola, os vários toques na montada (um deles com violência) e os ferros à garupa e em reuniões pouco cingidas…
Quanto a forcados, houve duas partes distintas: a 1ª parte foi destinada ao grupo de Lisboa e a 2ª aos do aposento da Moita. Pelos da capital pegaram Eurico Medronheira à 4ª tentativa, depois de nas três primeiras não ter recebido bem o toiro, Pedro Gil, que consumou uma boa pega à primeira e Manuel Guerreiro ao terceiro intento, com a primeira ajuda em cima e sem brilho. Apesar disso, não hesitou em sair para a volta, ao contrário do seu companheiro de grupo que efectuou a pega ao primeiro toiro. Deve ser por ser mais velho e sempre ouvi dizer que a velhice é um posto…
Na segunda parte da corrida pegaram pelos da Moita José Maria Águas, que reuniu muito bem e consumou uma boa pega, premiada como a melhor da corrida, José Maria Bettencourt, que com um bom cite e mandando bem na reunião consumou uma pega sem grandes complicações e Salvador Pinto Coelho que também esteve bem na frente do toiro, que não complicou a tarefa do forcado. Todas estas pegas foram realizadas à primeira tentativa.
E assim foi mais uma corrida, desta vez para o meu RA, de onde toda a gente saiu satisfeita, com excepção dos que acharam que o prémio para a lide menos má não foi bem atribuído…


Por: Catarina Afonso